sábado, 30 de agosto de 2008

"Ligamentos"


O Dr. disse-me que o meu joelho não está bom. Sofri uma ruptura de um ligamento.
Disse-me para não me preocupar, ao que parece ficarei boa com uma artroscopia e bastante fisioterapia.
Vou poder voltar a correr, saltar e treinar, como dantes. Vou demorar largos meses a recuperar totalmente, mas daqui a outros tantos já não me lembrarei que um dia o joelho me doeu assim.
"Dr. - perguntei - não pode aproveitar e fazer-me esquecer que um dia amei assim?"


(Parece que ainda não inventaram essa cirurgia. Até lá, recupero devagar. Como tu me recuperaste a mim).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

As dimensões das lembranças

Há dias em que me lembro que certas coisas pequeninas (como eu) têm um significado grande (como tu).


(Hoje é um deles.)

sábado, 15 de março de 2008

Sonhos


Continuo a querer sentir nos pés a areia da praia do meu imaginário.
Continuo a querer tocar as estrelas, beijar a lua e sentir o sabor das nuvens.
Continuo a querer dançar à chuva.
Continuo a querer entontecer com um beijo.
Continuo a querer partir para longe para saber que o melhor de ir é voltar.
Continuo a querer dizer-te o que não digo porque vai soar pateta (como eu).
Continuo a querer que saibas que uma parte de mim é também tua (e também pequenina, como eu, porque eu também me faço falta).
Continuo a querer perder-me para depois me (re)encontrar.
Continuo a querer amar sem razão.
Continuo a viajar diariamente pelos meus sonhos.
Continuo a confirmar nas minhas lágrimas que não gosto de sal.
Continuo a apaixonar-me ao primeiro olhar.
Continuo a olhar-te com o sorriso de quem te vê pela primeira vez.
Continuo a acabar o meu livro.
Continuo a saber que o amor dói sem que eu fique magoada.
Continuo a acreditar no amor puro, cego, estúpido, que nos estupidifica, que nos entorpece os sentidos e a capacidade de raciocínio.
Continuo a ver nas cores do fim do dia o início do sonho de amanhã.
Continuo com um sorriso nos lábios apesar de, por vezes, alguém mais atento poder descobrir uma lágrima a querer escorrer de um olho mais desatento.
Continuo a rir-me por dentro e por fora (fizeste, sem o saberes, a minha gargalhada sonora voltar a ecoar. Para susto de algumas pessoas, é um facto...).
Sei que me descobriste quando eu estava escondida.
Sei que me senti (mais) pequenina.
Sei que - mesmo sem saberes ou quereres - despertaste-me de um sono profundo. E soube tão bem acordar!
Sei que vou manter-me acordada para o futuro. É que apesar de saber tão bem (e eu sou tão preguiçosa), perde-se muita coisa quando nos deixamos adormecer durante o dia. E eu já sonho tanto durante parte dele...

(Hoje vou sonhar contigo. Desculpa se tal não estava nos teus planos. A verdade é que também não estavas nos meus. Outra verdade é que, apesar de eu insistir que não, adoro que me troquem as voltas...)

E depois?

Hoje acordei tarde.
É um dos meus pequenos prazeres, ficar enrolada no meio dos lençóis sem qualquer sentimento de remorso por render-me à preguiça durante umas horas.
Finalmente, levantei-me e tive um desejo súbito e inultrapassável de saborear um gelado de morango, seguido de um desejo súbito e inultrapassável de fazer 1000 coisas.
Tive também o desejo inultrapassável (podia também chamar-lhe súbito, mas creio que se está a tornar contínuo) de saboreá-lo contigo.
Aproximei-me de ti, dei-te a mão e disse-te, com um olhar quase infantil:"Vamos comer um gelado? E depois vamos correr descalços para a praia? E depois podemos ir vêr o pôr do sol ao Guincho? E depois vamos jantar naquele sítio giro sobre a falésia? E depois vamos comer algodão doce? E depois vamos ver aquele filme que não me lembro o nome mas que tu sabes? E depois vamos...".
Pousaste suavemente um dedo nos meus lábios e com um sorriso nos teus, disseste: "Sim, vamos. Temos tempo para isso tudo e muito mais."



(Abracei-te mais uma vez com o sabor doce da primeira. E depois? Depois ainda vem longe...)

O tempo tem o tempo que o tempo tem


Hoje, o Tempo parou.
Hoje, vou aproveitar para fazer e dizer tudo o que me dá na real gana.
Vou acordar-te com o beijo habitual, arrastar-te (nos) da cama, vestir camisolas grossas, gorros e cachecóis.
Então, subimos ao telhado, dou-te a mão e voamos.
Passamos por lagos, vales, rios, montanhas, tocamos nas nuvens, beijamos o céu e arrepiamos as estrelas.
O tempo parou.
Aterramos no alto de uma montanha com vista para o mar.
Encosto a cabeça ao teu ombro enquanto o sol se parece cada vez mais com uma bola de fogo no horizonte.
O dia em que o Tempo parou está a chegar ao fim.
O hoje vai dar lugar ao amanhã, onde o Tempo volta a ser Tempo, os segundos segundos, os minutos minutos, as horas horas e os dias, dias.
Peço-te baixinho: "Amanhã fazes o tempo parar?"
Sorris com aquele sorriso de quem sabe tudo, abraças-me e eu sei a resposta.


(E depois de amanhã, fazes o tempo parar?)